06/09/2007 09:21
APENAS UM MAL-ESTAR?

Do jornalista Carlos Chagas, comentarista do SBT e da Rádio Jovem Pan:
Brasília (ALO) - Em sã consciência, não haverá um só brasileiro que concorde com os excessos praticados durante o regime militar, com ênfase para a tortura e a censura. E se houver, deve ser imediatamente recolhido a um hospital psiquiátrico.
O problema é que em pleno Sete de Setembro, desde que o presidente Lula assumiu o poder, jamais estiveram tão tensas as relações entre o poder civil e os militares. Importa menos saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Sequer, verificar que os generais, almirantes e brigadeiros no serviço ativo de hoje eram aspirantes ou, no máximo, tenentes, quando da eclosão do movimento de 1964. Mas seria absurdo pretender que eles renegassem o passado e condenassem os antigos chefes por conta de muita coisa ruim acontecida. Até porque, muitas coisas boas também aconteceram.
Para contornar esse impasse é que veio a anistia, fazendo-se justiça ao injustiçado presidente João Figueiredo, responsável por ela. Anistia significa superação do passado, de um lado e de outro. Ou vamos esquecer que terroristas também praticaram horrores, em nome da substituição de uma ditadura por outra?
Fazer História é obrigação de toda civilização. Registrar os excessos de um lado e de outro, e até suas justificativas, fazem bem à memória nacional. Montes de livros tem sido escritos dos dois lados, enriquecendo até com amargura as lembranças do passado, quando nada para deixarem de se repetir no futuro.
Agora, o presidente Lula não tinha nada que realizar no palácio do Planalto o lançamento do livro preparado por um dos lados. Muito menos o ministro da Defesa, Nelson Jobim, deveria ter desafiado quantos não concordaram com a versão impressa, prometendo o que foi depois incapaz de realizar, ou seja,a resposta a quem reagisse. O alto comando do Exército reagiu, ainda que em nota mais ou menos amena, que ele precisou engolir. Os comandantes das três forças também reagiram, não comparecendo á solenidade de lançamento do livro, mesmo formalmente convidados. Um ato inamistoso, no mínimo, de subordinados para com o chefe.
Em suma, senão uma crise, ao menos um mal-estar profundo que não precisaria estar acontecendo. Claro que não acontecerá mais nada, torcemos todos.
enviada por Helena Chagas
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(O que é isso?)