06/09/2007 10:02
Assombrando o plenário
Não há precedentes na história do Senado de um presidente ter seu pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética e ser julgado pelo plenário da Casa, ainda mais no exercício do cargo. Os antecessores Antônio Carlos Magalhães e Jáder Barbalho foram alvo de denúncias e chegaram a responder a processo por quebra de decoro, mas renunciaram antes dessa etapa para preservar os mandatos. O desfecho mais provável para a luta de vida ou morte que Renan Calheiros está travando na Casa ainda é sua absolvição em plenário na próxima quarta-feira. Mas há seis longos dias pela frente.
A avaliação tanto de aliados de Renan quanto de senadores oposicionistas é de que o presidente do Senado está correndo contra o tempo. Seus opositores ainda não teriam, hoje, os 41 votos suficientes para cassá-lo, mas essa maioria estaria sendo aos poucos corroída a cada novo desgaste ou capa de revista no fim de semana. Não se sabe o que mais vem por aí, e a rapidez passou a ser fator decisivo para ele.
A rapidez e o medo, acrescenta um colega do senador. O outro pilar da estratégia de Renan é o temor que um presidente com mais um ano e três meses no cargo, e com boas chances de escapar no plenário, pode inspirar aos que hoje defendem abertamente sua cassação. Nos próximos dias, o presidente do Senado evitará aparições públicas e vai mergulhar. Mas, nos bastidores, os recados estão sendo mandados a oitenta eleitores.
Se Renan sobreviver, vai se vingar de seus acusadores? Ninguém sabe. Pode até ser que não, sobretudo porque estará machucado, fraco e passará um bom tempo juntando os próprios cacos. Mas o senador sabe que sua salvação depende da capacidade de consolidar entre os colegas, e fazer com que se reflita na votação secreta de quarta-feira, o sentimento de que, já que Renan vai se salvar mesmo, é melhor estar do lado dele. É aquela capacidade que alguns têm de tanto repetir uma afirmação que acabam por torná-la verdade - e levar os outros a acreditarem nela.
FONT style="COLOR: rgb(51,102,204)" size=1>Da coluna
Descomplicando a Política, assinada pela autora do post, no "Jornal de Brasília".
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enviada por Helena Chagas
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(O que é isso?)