02/09/2007 11:51

Governo vê apoio de nova classe C

A onda agora dentro do governo é falar sobre o surgimento de uma nova classe média. O assunto tomou as conversas da reunião do presidente Lula com seus ministros, na quinta-feira, organizada para "afinar a viola" dos discursos governistas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi decretou a morte da classe E no Brasil e o aparecimento de uma classe C emergente, pessoas que ganham entre R$ 2 mil e R$ 2.500 por mês. É esse dado que está levando Lula a comparar seu governo ao do ex-presidente Getúlio Vargas, que promoveu um ciclo de industrialização no país entre 1930 e 1945.

- Na Bahia, nós já verificamos claramente a importância dessa nova classe média. Isso é um fenômeno que está mudando o Nordeste, o país inteiro. São 8 milhões de famílias que ascenderam à economia formal. Não é brincadeira! - comemora o ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, uma das raposas políticas do PMDB, que comandou o apoio do partido aos dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

- E qual é a implicação política disso?

- A implicação política é que a oposição fica sem discurso, do mesmo jeito que o PT e o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva estavam sem discurso em 1994. Como falar mal do país, se as pessoas estão comprando mais e vivendo melhor, se o salário mínimo está chegando a US$ 200, se a inflação está sob controle, se está havendo uma inversão do fluxo migratório agora rumo ao campo, se estamos exportando mais...

- E isso chega até as eleições de 2010?

- Creio que sim. E, se chegar, vai ficar difícil para qualquer um na oposição. Aí o presidente Lula elege até um poste como seu sucessor. Daí o certo desespero do discurso oposicionista, esse radicalismo udenista. É evidente que enquanto o país estiver indo bem, nada de mal pegará no presidente. E ainda vêm aí as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coisas físicas que as pessoas vão ver, tudo isso vai influir na sua popularidade.

- O senhor fala do apoio da nova classe média, mas há uma insatisfação na classe média...

- Da classe média, não. De um setor da classe média, mais tradicional, que rejeita a ascensão da classe C por preconceito. Pessoas que agem como quem vê os de baixo chegando no seu bairro, no seu jardim. Mas isso o tempo se encarrega de resolver.




Da coluna Informe-JB, assinada pelo autor do post, no "Jornal do Brasil".
enviada por Tales Faria






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