08/09/2007 10:38

Quem comandará o comandante?


Ao lado de Lula, Nelson Jobim assistiu ontem ao desfile militar do 7 de setembro ainda na condição de primeiro titular da pasta com chances reais de impor sua autoridade e ser, de fato, ministro da Defesa. Mas a primeira crise de sua gestão, - provocada por uma frase do próprio Jobim - embora circunscrita ao Exército e aparentemente superada sem grandes seqüelas, foi uma aviso ao navegante. Há certa inquietação entre os militares em relação ao estilo pouco jeitoso do ministro, provocada sobretudo pelos primeiros movimentos da reestruturação administrativa e gerencial pela qual não só o setor aéreo, mas todo o ministério está passando.

Se pudessem, alguns oficiais das Forças Armadas dariam ao ministro da Defesa um recado: devagar com o andor que o santo é de barro. Mas não podem. Ainda assim, alguns esperam que suas preocupaçõres cheguem ao endereço certo. A principal delas, no momento, é a mistura entre civis e militares nos principais postos da pasta e dos órgãos a ela ligados, e o risco de se ferir a hierarquia na distribuição das funções de comando.

Alguns militares, por exemplo, queixam-se de que Jobim, em seu gabinete, e nas principais decisões, tem se cercado basicamente de civis. Preocupam-se também com a nova composição da Anac, o fortalecimento do Conac e a criação de uma nova secretaria de Aviação Civil para gerir o setor, já que para fechar esse quebra-cabeças o ministro ainda terá que nomear muita gente. Na Infraero, por exemplo, está sendo nomeado um general de quatro estrelas para uma diretoria que ficará subordinada ao civil Sérgio Gaudenzi. Não haverá mal-estar? Estará a empresa sendo novamente militarizada, numa volta ao modelo do DAC do passado?

Na Anac, a dúvida é se serão misturados militares e civis e qual será a relação entre eles. Haverá conflito se o órgão for majoritariamente integrado por militares? E no Conac o grande nó é a possibilidade de nomeação de um dirigente de patente inferior ao comandante da Aeronáutica, Junito Saito, para assumir o comando da política de aviação civil do país. Aliás, prossegue a dúvida, que atormenta não só os militares: quem, ou qual desses órgãos, vai comandar de fato o setor?




Bem comportado PT.

A expectativa entre os que articulam para salvar Renan Calheiros quarta-feira no plenário é de que pelo menos oito dos doze senadores do PT votem pela absolvição do presidente do Senado. Afirma que não há dúvidas, por exemplo, de que Tião Viana e Aluízio Mercadante ficarão com Renan. Até João Pedro é contado. Ele teria votado pela cassação no Conselho de Ética por ser relator do segundo processo aberto pelo PSOL contra o senador. Dessa forma, garante a isenção para fazer um relatório que o absolva mais adiante. Já Eduardo Suplicy, Augusto Botelho, Flavio Arns e Paulo Paim nem entram na conta.


Falta suar a camisa

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, não quer dar ao Planalto a impressão de que estaria fazendo corpo-mole para votar a emenda que prorroga a CPMF na Casa – tanto que assegurou ontem que o projeto será votado até o final de setembro. Nas conversas reservadas, porém, ele tem mandado dizer ao presidente Lula que é preciso botar seu pessoal para suar a camisa. Ou seja, além das insatisfações naturais dos partidos da base – leia-se sobretudo PMDB – com nomeações e etc, muita gente está com a impressão de que falta mesmo aquela velha e boa articulação dos líderes com suas bancadas. Ou seja, trabalho. Como, por exemplo, o de escalar deputados para estarem em Brasília e dar número suficiente para abrir todas as sessões em plenário, já que a sua realização conta prazo para a tramitação da CPMF. Sem as segundas e as sextas-feiras, fica difícil. E, afinal, são só 51 deputados. Ter maioria em tese é uma coisa. Confirmá-la na prática exige um pouco de transpiração.


FOTO E FRASE DO PRESIDENTE DA CÂMARA, ARLINDO CHINAGLIA

" Eu cumpro as regras. Mas quem tem mais interesse é que tem que trabalhar mais", do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, num recado sutil para que o Planalto bote suas tropas em plenário para votar a CPMF.

FONT style="COLOR: rgb(51,102,204)" size=1>Da coluna Descomplicando a Política, assinada pela autora do post, no "Jornal de Brasília".

www.clicabrasilia.com.br

enviada por Helena Chagas






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